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A caminho das Índias (Parte 01)

No dia 15 de março de 2009, depois de dois anos de treinamento no CTMDT – e muito choro no aeroporto de Confins, MG – começava a viagem da equipe de alunos que servirão durante o período prático na Índia. Na verdade, os desafios começaram bem antes do embarque que levou a equipe até Frankfurt e em seguida à Mumbai.
Depois de meses de muita oração no sentido de providenciar a documentação para os vistos e as vacinas necessárias, além de incansáveis vendas de camisetas, artesanato e deliciosos quitutes, ainda restava uma soma grande de dinheiro para cobrir as despesas de deslocamento da equipe. Mas, poucas horas antes de espirar o prazo limite para o pagamento das passagens um empresário de futebol doou os R$ 6.000,00 restantes das passagens. Providência do Pai. Mais uma vez!
Já em Frankfurt os desafios de uma nova língua e o rigor do inverno europeu, que contrastava com a temperatura de 45ºC que esperava a equipe em Mumbai, faziam com que as aulas sobre o Ciclo de Aculturação ganhassem vida. Logo na chegada a Mumbai a certeza de que um breve vislumbre da desigualdade social e do sincretismo nos quais a sociedade indiana estão mergulhados jogariam por terra o romantismo e glamour com os quais a mídia de massa vem pintando o hinduísmo para milhões de brasileiros.
Hindus, sikhs e mulçumanos perambulando ao lado de indianos modernos influenciados pela cultura ocidental formam o mosaico humano de Mumbai. Cidade esta, que apresenta uma constante nuvem de poluição que tanto durante o dia quanto durante noite não permite uma visão límpida do céu.
Mais uma vez a injustiça ganha contornos reais. De um lado da rodovia uma Mumbai rica e que inevitavelmente atrai os olhos da equipe. Do outro lado uma parte da cidade marcada pela miséria reservada pelo sistema de castas – teoricamente abolido pela constituição indiana – aos dalits.
O caótico transito da cidade conduziu a equipe a um tradicional bairro hindu. Esse é o local onde Deus abriu as portas para que fosse estabelecida a base da equipe e aonde as primeiras impressões sobre os desafios a serem enfrentados nos próximos meses eram permeadas pela certeza de que aquele era o melhor lugar do mundo para se estar! Aquele era o centro da vontade de Deus!

Aeroporto de Frankfurt

Mumbai, por Joel Newell